Jacques Villeneuve aposentado da Fórmula 1.
Essa idéia ainda não foi bem digerida pela minha pessoa.
São 11 anos torcendo, lendo, sofrendo, defendendo alguém que nem sabe que eu existo. Tenho livros, bandeira do Canadá, revistas, fotos, uma pasta de recortes feita entre 95 e 97... Capas de fichários com suas fotos, a música dele no computador, foto no desktop. Para os amigos que gostam de Fórmula 1, é só falar no nome dele que alguém já cita o meu. A amiga que foi para o Canadá me trouxe uma bandeira e uma foto do restaurante dele. O amigo do amigo mandou uma foto exclusiva dele. Outro amigo fez um wallpaper dele. Tenho um hamster com seu nome. Defendi com garra todas as acusações injustas feitas contra ele. Um campeonato na Indy, rookie of the year, um vice na F1, um campeonato mundial de F1... O mais perto que eu cheguei? Foi ano passado quando o Leandro, durante a apresentação dos pilotos no GP do Brasil me levantou e eu acenei com minha bandeira do Canadá. Ganhei um tchauzinho emocionante.
Ele chegou na Fórmula 1 como filho do gênio, o cara que usava All Star e boné do Mickey, que trazia o violão na mala e falava o que queria. Talvez o mundo da F1 tenha feito mal para uma pessoa como ele. Parece que com o tempo, perdeu um pouco da vontade de vencer, da vontade de passar o Schumacher, de dar olé no Dick Vigarista na disputa de um título... A luz foi se apagando. Tentaram injetar um ânimo e dar mais uma chance. E logo se esqueceram dos seus feitos. "Chincane ambulante" era o mais carinhoso dos apelidos que ultimamente vinha recebendo.
Eu também torcia para o Mika Hakkinen. Mas o JV é diferente. É meio paixão de adolescência, sei lá, essas coisas que não conseguimos explicar direito. Não sei se é questão de carisma, estilo, beleza. Afinal, ele já está ficando careca e meio gordinho, mas a admiração não diminui. Já aguentei muita tiração de sarro por torcer por ele. Mas e daí? Eu mesma não entendo, nunca torci tanto por alguém, nem por tanto tempo. Tive a era do vôlei, durou uns meses. A era do futebol dura até hoje, mas nem para o Timão eu torço tanto quanto para o JV. Lembro muito bem quando tive a oportunidade de ir pela primeira vez na F1. Consegui ir a um treino de sexta-feira. Emoção. Driblei um segurança para conseguir chegar à lojinha onde havia produtos dos pilotos. Só havia uma camiseta, Extra Large e um boné do Villeneuve. O preço era absurdo. Mas eu havia juntado todas as moedinhas para quando aquele dia chegasse. A camiseta nunca usei. O boné passou a me acompanhar em todas as corridas. E vou continuar usando.
E eu que queria fazer um curto post. Só queria dizer que era por causa
disso que eu fiquei tão fã dele. Uma matéria ao estilo Villeneuve "falo-o-que-todo-o-mundo-pensa-mas-não-tem-coragem-de-assumir". Mas não dá. O trabalho me consome e nem pude parar para pensar o que farei com a minha carreira de fã de automobilismo. Não sinto tanta simpatia nem pelo Kimi. E ele vai pra Ferrari, cruzes. Não vou com a cara do Alonso. Achei que o Klien seria uma boa surpresa, mas só me decepcionou. Sei lá. Parece que perdeu a cor. Estou "formulaunísticamente depressiva". "Schumacher será esquecido", "Schumacher não é herói", "Para trapacear é preciso ter classe". Eu também acho isso, Jacques. Mas você faz parte da minha história. E eu vou acompanhar a sua carreira, nem que você vire cantor de barzinho. E na verdade eu nem sei o por quê. Mas essa matéria, talvez uma das últimas que vão dar destaque nos sites de Fórmula 1 já está aqui, impressa. Porque vou colocá-la em meu mural. Como fiz quando eu tinha apenas 15 anos e ao assistir as 500 milhas de Indianápolis pensei: quem é esse canadense abusado com nome de francês? A matéria do jornal falando da vitória também está lá. Amarelada. Como um dia ficará essa que coloco hoje.
God bless you.