Kazinha da Karol

Essa é a casa da Karol. Entre, sinta-se a vontade, puxe uma cadeira, pegue um copo de suco na geladeira. Have fun!

Tuesday, March 14, 2006

Sabiamente Guerreira

Só de começar o post, lágrimas invadem meus olhos. Resolvi postar um texto que meu amigo Leando 'Beckham' mandou, sobre a luta que a família dele tem passado. Vale a pena ler.

O Lê é um cara que tem a minha admiração, não só por ser um ótimo conselheiro, um bom marido, excelente pai de família, mas principalmente porque pra mim ele é exemplo de como lidar com os problemas. O mundo pode cair na cabeça dele que ele está lá, na dele, sem se desesperar, levando tudo na boa. E o cara tem a minha idade! A esposa dele é outra pessoa que merece admiração. Além de linda, ela é tudo de bom.

Estamos na torcida, estou orando por vocês todos. Beijos!

"A história de luta da Sophia começou bastante cedo, bem mais cedo do que imaginamos. Começou antes mesmo de sabermos que esperávamos por ela, quando um dos primeiros órgãos a ser formado, por algum motivo, não se completou. Mesmo assim, sua luta de vida já se presenciava forte, pois ela foi crescendo completamente saudável ainda no útero.

No entanto, a nossa luta de apoio a Sophia começou quando foram completadas 18 semanas de gestação. Nesta época, ainda nem sabíamos se era menino ou menina, e juntamente com a agradável surpresa de que estávamos esperando uma linda princesa, veio uma notícia de preocupação: Dr. Evaldo, médico que realizava os exames de pré-natal, constatou algo estranho no coração, mas não quis comentar nada sobre o assunto e nos encaminhou para uma clínica especializada em cardiologia, em que a Dra. Márcia Abdala realizaria um exame mais detalhado e que mudaria nossas vidas a partir de então.

A realização do exame foi lenta, e silenciosa! A Dra não falava nada, e percebia, nos olhos da Andréia, a mesma angústia que corria dentro de mim. Estávamos tensos, um exame demorado e sem nenhum comentário dava como certo de que ela tinha alguma coisa, e não era simples. Após o exame, a Dra nos chamou até sua sala para conversarmos. Até o Felipe estava conosco neste que seria, sem dúvida, um dos piores dias de nossas vidas. Ela começou a nos explicar da cardiopatia, do tratamento e das dificuldades. Tudo era tão complexo que ela já nos perguntou se tínhamos como ir pra São Paulo, único lugar no país melhor estruturado para realização dos procedimentos necessários. Eu não agüentei, a emoção de tristeza, angústia e dor transbordaram ali mesmo enquanto tentava distrair o Felipe com alguns brinquedos existentes na sala. Ficamos completamente abatidos, e sem dar ouvidos aos conselhos da médica, fui atrás de maiores detalhes desta cardiopatia na internet. Resolvi parar a leitura na metade dos artigos que encontrei, pois estava piorando a situação.

Mas, neste dia uma forte corrente de oração e pensamento positivo foi iniciada e começou a ganhar força! Começando pelos parentes e amigos mais próximos e se espalhando pelo Brasil inteiro. Esta força se encontra presente até hoje, e tem nos ajudado muito. É impossível agradecer a todos que estão contribuindo de alguma maneira. Eu e a Andréia começamos a ganhar forças. Começamos a ir atrás dos detalhes do problema e começávamos a falar com mais tranqüilidade sobre ele. Certamente, já estávamos recebendo força de Alguém maior!

Os exames continuavam, com o Dr. Evaldo e Dra. Márcia, além de tentativas de contato com o pessoal de São Paulo. Mas um certo dia, em um exame de rotina, o Dr. Evaldo perguntou se sabíamos que o pessoal do Incor estava em Brasília. Respondemos negativamente, pensando que a equipe estava em algum tipo de congresso. Ele então disse que entraria em contato com o Dr. Álvaro, do Incor, e explicaria o caso pra ele. Alguns dias depois, recebi a ligação do Dr. Jorge, cardiologista pediátrico do Incor, já nos chamando para marcar uma consulta e exame com ele. Fomos até o Incor-DF, e vimos que eles já estavam totalmente estruturados aqui em Brasília, só que não estavam sendo divulgados ainda. Estrutura e equipe impecáveis. Passamos a fazer os exames cardiológicos lá e tivemos muitos esclarecimentos sobre tudo o que queríamos com o Dr. Jorge e Dr. Canêo, cirurgião.

A cada consulta, a confirmação do diagnóstico era mais presente, e a esta altura já sabíamos das dificuldades que enfrentaríamos, nossa dúvida era se já teríamos força suficiente para isso. O objetivo agora, era prolongar o máximo o tempo de gestação, para que a Sophia nascesse o mais forte possível, com o maior peso possível, visto que dados os exames, eu e a Andréia não temos tendência de ter bebês grandes, fato que facilitaria os procedimentos cirúrgicos. Aí, entrou os méritos da Dra. Ana Márcia, obstetra, que fazia exames com intervalos muito mais curtos que o normal e conduzia as atitudes que a Andréia deveria tomar. Mas de nada adiantaria as advertências da Dra se a Andréia e a Sophia não colaborassem. E elas cumpriram o seu papel! A Sophia nasceu com 39 semanas e 1 dia! Sem o menor sinal de entrar em trabalho de parto! Nasceu com um bom tamanho, maior que o seu irmão mais velho, pesando 2.800g e o parto foi super tranqüilo, no dia 10 de fevereiro de 2006! Ela nasceu no HFA, depois de grandes pessoas que nos auxiliaram lá, como a Dra. Heloísa (psicóloga da CR) e seu esposo, Cel. Ottoni, vice-diretor do HFA, que nos auxiliou a dar entrada lá no hospital destinado às forças armadas e permitiu que a nossa obstetra realizasse o parto dentro do hospital. Além disso, o Major Madiotta, chefe da obstetrícia, permitiu que eu assistisse ao parto, no cantinho da sala, mas próximo da Andréia e da Sophia. Isso tudo foi preciso, pois o Incor-DF está localizado junto ao HFA, e não precisaria de transporte para remoção de hospital, ela iria direto para a UTI do Incor.

A partir deste dia, começou uma luta intensa a favor da vida! Ao nascer, linda, perfeita aos olhos de Deus, fomos informados de que a Sophia ainda tinha mais duas más formações visíveis: uma fenda palatina e uma assimetria das duas orelhinhas. “Perfumaria” diante da cardiopatia. A fenda, ao que parece, é uma cirurgia simples de ser feita para correção, e a assimetria parece não estar associada a problemas da audição, e a estética é pouco perceptível.
A Sophia foi conduzida à UTI, e lá já recebeu os primeiros tratamentos necessários. O prognóstico era bom, devido ao tamanho da aorta que era maior que normalmente se tem nesta cardiopatia. Porém, já com um dia de vida, ela começou a apresentar apinéia, e precisou de ajuda de aparelhos para respirar. O batismo dela aconteceu no domingo, um dia antes da cirurgia, e foi celebrado pelo Padre Selso (SIC). Devido a alguns outros fatores, os médicos decidiram também antecipar um pouco a cirurgia, que poderia ser feito no quinto dia de vida, mas foi realizado no terceiro. Aquela segunda-feira também não será esquecida. Ela estava caminhando para uma das cirurgias mais complexas do tratamento de cardiopatias. Ao deixar a UTI, por volta das 10:00, estávamos no corredor, e nos despedimos dela com um até breve! A maca foi caminhando corredor adentro, e depois de não mais a ver, ficamos ansiosamente esperando por notícias e pelo término da cirurgia. Mais ansiosa ainda, estava a Andréia, que ainda se recuperava do parto, e precisava ficar em casa. Mais ou menos de duas em duas horas, eu e a Luciana, minha irmã, subíamos ao centro cirúrgico para receber notícias, sempre com um: está em andamento. Este dia realmente demorou a passar, e por volta das 17:30, fomos obter mais notícias e quem apareceu para nos dar foi o Dr. Canêo, o médico que tinha realizado a cirurgia nos informando que havia acabado. Um sentimento de alívio e alegria se misturava neste momento com a ansiedade de vê-la e a angústia de saber como ela estava e como tinha ocorrido a cirurgia. Ele nos informou que tinha sido bastante difícil, mas que o coração dela já estava batendo sozinho. Informou-nos ainda, que as artérias pulmonares, direita e esquerda, eram pequenas, menores que o normal, mas que não podia ser feito nada ali, e que a esperança era de que, com o fluxo sanguíneo, elas crescessem.

Primeira batalha superada, ela retornou a UTI, mas só pude vê-la perto das 22 horas. Os médicos estavam apreensivos, com medo de que eu me chocasse com a visão de minha filha. Mas eu já nem pensava mais nisso. As respostas de Deus vieram em atitudes. Aquele medo de não ter força suficiente para passar por tudo, que estavam presentes em mim e na Andréia antes do nascimento, tinha ido embora e nem tínhamos percebido. A Sophia estava com muita medicação, dreno, diálise, ajuda de respirador, medidor de temperatura interna, marca-passo, enfim, uma parafernália que estava lá para auxiliá-la, mas incrivelmente, eu a via apenas como Sophia, sozinha, ENORME, dentro de um corpinho tão pequeno. A sensação que dá é justamente essa, que ela transborda força, energia, paz, sabedoria! Que ela é realmente grande, e nem parece uma recém-nascida.

O tempo pós-cirúrgico inicial é de pelo menos 24 horas para ver a reação dela. Após isso, ela se mantendo bem, em poucos dias seria possível o fechamento do tórax. Seria. Pois, das duas artérias pulmonares, uma se manteve muito pequena, a do lado esquerdo. Parecia até ter diminuído o fluxo enquanto a direita crescia. Outra cirurgia de correção seria inviável, seria muito pesado, mesmo para a forte Sophia. A atitude a ser tomada era abrir novamente o curativo, limpar bem a região e verificar se alguma coisa estava impedindo o fluxo dessa artéria. Não tinha nada lá, mesmo assim, eles abriram um pouco mais de espaço, e disseram-nos que era preciso “sorte” para que crescesse. Nossas orações foram mais destinadas pra isso. E deu certo!! A artéria pulmonar esquerda começou a crescer e aumentar o fluxo. Com esta boa notícia, e com a estabilidade da Sophia, passado alguns dias, era hora de fechar o tórax, para evitar risco de contaminação. Ela sempre se manteve estável durante todos os procedimentos, e com este não foi diferente. Fechado o tórax, mais 24 horas de espera para ver como ela fica. Com as doses de medicações aumentadas, uma série de outras coisas acontece, que causa uma piora, mas q é esperado uma reação dela. Isto tudo aconteceu na sexta-feira, dia 17. E que sexta-feira. Ao fim da tarde, quando estávamos lá, eu e a Andréia, percebemos um semblante não muito bom nos médicos, e ninguém nos passavam informações, apenas falavam que o Dr. Jorge falaria conosco. Quando fomos pro leito dela, o Dr. Jorge nos perguntou se estávamos bem e respondemos que sim. Então ele disse: “Mas a Sophia não está”. Ela não havia agüentando o fechamento do tórax e mesmo reabrindo, como as medicações estavam em doses altíssimas, começou a comprometer os outros órgãos e funções do corpo. Segundo o médico, se mantivesse daquela maneira, ela agüentaria por mais algumas horas. Dor era o sentimento que predominava a partir deste instante. Por mais que tivéssemos recebido muita força, pensávamos no pior. A única coisa a fazer naquele momento, era um procedimento inédito no país – o uso do équimo. Équimo é um procedimento (ou o nome da máquina mesmo) que utiliza um aparelho que faz o papel do coração, pulmão e rins externamente. E é possível ajustar um percentual de “ajuda” ao coração para fazer o fluxo de sangue correr no corpo. Ela iniciou com quase 100%. O objetivo era o coração ganhar força, com alguns dias de descanso. Mas o risco do uso deste procedimento era muito alto. Não havia tempo para fazer exames detalhados que permitissem o uso deste equipamento, principalmente exames neurológicos. Ela poderia ter hemorragia interna e uma série de outros problemas.
Mas ela resistiu! Passou 3 dias com a máquina e o coração voltou bem, ainda com o tórax aberto, mas com todos os índices apresentando bons resultados. Mais uma benção e prova de que realmente tem Alguém nos ajudando muito foi presenciada. 24 horas passadas para analisar o impacto da retirada, os médicos estavam preocupados com a situação neurológica dela. Estávamos no dia 21 de fevereiro, e devido a sedação e outras medicações, a Sophia se mantinha imóvel, sem reação alguma de reflexo a nada. Mas aí, mais uma vez, ela prova que é especial e que Deus está sempre conosco. No dia seguinte, após a retirada de uma medicação que inibe qualquer movimento muscular, ela abre os olhinhos, mexe a boquinha, os pezinhos, as mãozinhas! Nossa, como foi bem ver ela fazendo isso tudo! A partir disso, ela começou a se manter sempre estável, e melhorando todos seus índices.
Esperou-se um período maior, em que ela se mantinha estável, para mais uma tentativa de fechamento do tórax. Mas quando foi tentado, mais uma vez foi preciso reabri-la. Ao fechar, ela não conseguia se manter, e a piora era rápida. Desta vez, no entanto, apenas com a abertura do tórax ela começou a apresentar melhora!

A esta altura, o risco de infecção era cada vez maior, e os médicos se viam na necessidade de fechar o tórax de alguma maneira. A opção então foi um fechamento gradativo. Após esperar novamente pela recuperação depois da última tentativa, foi aproximado o esterno e apenas fechado a pele, que acabou ficando um pouco mais esticada. Com isso, a recuperação dela foi boa. Tudo começou a melhorar, pressão, foram retirados alguns drenos, a diálise, ela iniciou e começou a aumentar a dieta de leite. Tudo indo bem, mas a cicatrização estava difícil. Com a tensão da pele, começou a formar uma ferida e não havia cicatrização do fechamento, pelo contrário, começou a abrir novamente. Com uma semana após ter fechado a pele, a Sophia encontrava-se no seu melhor momento, e a ferida no pior, então era hora de tentar, mais uma vez, fechar o tórax. O procedimento foi realizado no dia 08 de março, mas ainda assim parcial. Foi fechado a parte superior do esterno, e a parte inferior apenas aproximado. E agora, ela conseguiu suportar!! Passaram-se as 24 horas e ela se manteve estável, e hoje, dia 10 completa 1 mês de muita luta e vitórias de vida!! Sabemos que ainda temos muito a enfrentar! Sabemos de todas as dificuldades que iremos passar! Mas estamos sempre confiantes! A Sophia já nos ensinou muito, e continua nos ensinando!

Parabéns minha princesa! Não desista jamais! Passamos este mês contigo e passaremos muitos outros! Um beijão! TE AMAMOS!

10/03/06Leandro "

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